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domingo, 4 de setembro de 2011

Gisela desarrumara as malas. Enfim em casa. Quase meio ano longe. M era nuvem ainda. M não passava nunca. Mesmo morto, era presença. M era assombração em sua vida para sempre. O outro que não era M morreu e sumiu. Tudo rápido e definitivo. O outro que não era M passou tão bem passado que quando, um dia, numa ocasião qualquer, Gisela o viu, pensou: "Sombra, nem sombra esse outro que não era M ousa ser, pobrezito...".E pensou nos pontos finais no lugar certo do filme ao qual assistira recentemente...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Esther extraíra há anos uma força gigantesca para sair do estágio letárgico em que passou a encontrar-se após a partida de Janaína e após a...Isso ela não conseguia falar nem mesmo a ela...Suas forças reunidas foram suficientes para que ela nunca mais pensasse. Acostumou-se ao silêncio e a ver a vida passando diante de seus olhos. Era voyeur de si mesma. Voyeur de um passado que insistia em não passar e que por isso se presentificava ad infinitum...
Colhidas as forças, saiu de dentro de si e voltou. Voltou para um mundo sem Janaína, sem sua barriga de grávida, sem suas atitudes de adolescente rebelde. Era muita falta. Ela era só buracos. Caminhou discretamente pelas ruas como que para provar que ela podia, que o seu mundo era reconstituível e que ela merecia, apesar de tantas dores desatinadas, apesar das dores lancinantes, ela merecia estar ali, caminhar, sentir o vento na cara, a roçar-lhe a cara (de leve ou com força), mas ter estado presa era o contraponto dessa consciência de merecimentos. Ter estado presa, literalmente presa, não lhe arrancou a lancinante dor. Não lhe arrancou Janaína da cabeça. Não lhe arrancou aquela lembrança, a mais funda, a menos dizível, a nunca pronunciada, a apavorante lembrança de.
Esther pensava nessas coisas, pensava no impensável quando o telefone tocou.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Porque Gisela entendia que viveria para sempre essa coisa de altos e baixos, não queria dizer que não a afetasse quando lhe ocorriam as mudanças. Estava tão feliz há poucos dias e acordara sentindo-se menos. Ao fim do dia, era o cocô do cavalo do bandido. Não compreendia algumas coisas, outras admitia que para todo o sempre a acompanhariam. Queria mesmo era não poder ouvir algumas coisas, algumas palavras-opiniões. Vivera até ali tantas coisas, mas sua pele e seu coração ainda eram frágeis, apesar de tudo. Sobreviveria a essas e a mais outras coisas sim. Mas, hoje, Gisela era menos e a subtração cortava-lhe a pele. Talhava-a. Doía.