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terça-feira, 10 de maio de 2011

A água corria fina num mínimo córrego de meio de rua. E Gisela percebeu a fonte, o lugarinho de onde emanava a água que escorria fina e imperceptível para rua de cidade grande. Olhou o buraquinho, percebeu o movimento, lembrou-se de cenas da noite anterior. Pensou que o estava a cativar e pensou que estava a ser cativada por ele. Era impossível? Nada mais lhe era impossível. Sabia, sabia. Sorria e via a água correr, vinda de um mínimo e ela era um mínimo ali naquela rua, naquela cidade, naquela vida. E apesar de mínima, ela era. E ser e estar sendo era. Bastava e era feliz. Extraordinário.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Alice e Esther por um tempo sumiram? Gisela sequer conseguia sentir solidões. Gisela, por esses tempos era puro encantamentos. Sorria, sozinha, antes de dormir. E sentia como se o tamanho do mundo a invadisse antes do sono mais profundo. Sonhava coisas lindas e acordava sem pensar em M. Ao menos da forma anterior. E achava que deveria ligar para Alice, para Esther. Eram irmanadas de uma maneira não apenas consanguínea. Sabiam. Mas. Eram alguns "mas" o que embargava tanta coisa boa na vida, pensava simplesmente (e como demorara para atingir a simplicidade!) Gisela. Fazia café pela manhã, bem cedinho, com o principiar do dia. Bebia-o em canecas (como gostava), assoprando um pouco de esperança para a sua vida. E assim o fazia porque isso era bom. E ela queria o bom da vida. Queria.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Caminhava distraída pelo corredor da sala em que daria aula quando ele surgiu em seu caminho. Suas calças jeans e sua camisa branca, cabelos bagunçados e um sorriso enorme nos lábios:
- Olá, Gisela!
Piscou de volta?
Sim, Gisela piscou de volta com o coração acelerado e uma incerteza: M sairia mesmo de sua vida?
Encontrara uma moça que lembrava Janaína. Não sabia exatamente o que naquela lembrava esta. Um jeito de olhar, um sorriso cativante...Não decifraria cedo assim. Era o primeiro contato. Tem fogo? Um sorriso e o fogo. Está frio aqui, não? E pôde ver as mãos da moça esfregarem-se uma contra a outra num gesto de consentimento. Pensar em consentimento era aquiscência para o seu coração dilacerado pela recordação antiga. Fumaram juntas aquele cigarro há tempos guardado na bolsa. Era o último de uma promessa antiga: deixar de fumar. Mas o ressurgimento daquela história era como uma permissão, um acordo tácito: cada cigarro um dia a menos? Toparia suicidar-se para reaver os abraços de...
Pensar demais era o que estragava todas as tentativas de sentir depois de tudo. E ela, que era cerebral, vivera até aqui meio insensível e à parte de toda a sensualidade que se não reprimira, escondera de si sem saber o que dela fazer.
Fumar, sentir o frio clima do lugar de esquina e observar pelo simples prazer do olho. Era a princípio o que deveria fazer.
Esther sabia disso e assim o faria.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sorriu quando descobriu que o que lhe parecia tão ruim era, no fundo, muito bom. Pulou na cama como se tivesse cinco anos de idade. Lembrou de quando caminhara na rua há instantes, na volta da padaria, com leite e pão nas mãos. Sorriu, sorriu. Estava feliz, podia jurar a si mesma. Mas, como? Como se ela mesma achava que não nunca mais? Qual o nome disto que acontecia? Engano! Isso! Enganara-se e perdera semanas largada na cama, fazendo papelão, ligando e, logo depois, ficando muda...ela, logo ela que tinha voz. Sim! Ela tinha uma voz tamanha. Voz. Assim: voice, stimme, voix, voce. Língua, voz. Língua. Língua. Ela tinha língua, tinha voz, ela era também corpo, corpo, corpo. E de repente olhara para o espelho e vira o sorriso dele. Dele que não era M. Dele que era jovem como ela ainda era. Mas porque motivo imaginou durante tanto tempo que envelhecera tanto? Ela estava feliz.