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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Gisela acordou de um cochilo entendendo o posicionamento de sua mãe. Agora sim compreendia as decisões dela e as execuções do que ela decidira há tempos (antes mesmo do nascimento das filhas?) e executara mexendo com a vida de Gisela e de suas irmãs. Mas, Gisela compreendia agora exatamente porque chegava perto de chegar às mesmas conclusões de sua mãe. E começaria a executar, seguindo os mesmos caminhos, mas não de maneira imperceptível para si mesma. Era questão de tempo, sabia. Era o que lhe sobrava, como fora o que sobrara à sua mãe.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Alucinante Alice



Alice resolvera ler aquela carta que guardava há anos. Colocou música na vitrola (mister se fazia o procedimento) e ouviu:

"Dentro do nosso mundo
Um outro mundo achaste
E as cores de que fala
Eu não conhecia
Alguma coisa havia antes desse espaço
No oco da nogueira um tombo no infinito
De cada biscoito tiraste um pedaço
Pode ouvir teu grito
Alucinante Alice quando você fala
Meu coração se quebra como louça
Alucinante Alice quando você beija
O mel dos anjos entra em minha boca, em minha boca, em minha boca
A porta da verdade estava bem fechada
Mas nada resistiu a chave que eu te trouxe
Da que de onde se vê ainda não se vê nada
Se não se tem os dentes presos nesse doce
De limão galego de laranja amarga, de batata doce

Alucinante Alice quando você fala
Meu coração se quebra como louça
Alucinante Alice quando você beija
O mel dos anjos entra em minha boca, em minha boca, em minha boca

A porta da verdade estava bem fechada
Mas nada resistiu a chave que eu te trouxe
Da que de onde se vê ainda não se vê nada
Se não se tem os dentes presos nesse doce
De limão galego de laranja amarga, de batata doce
Alucinante Alice quando você fala
Meu coração se quebra como louça
Alucinante Alice quando você beija
O mel dos anjos entra em minha boca, em minha boca, em minha boca"

Abriu a carta. Olhou-a bem, sem lê-la. Dobrou-a e guardou-a primeiro próximo ao peito, depois: dentro da caixa de onde a havia retirado.
O ritual lhe fora bastante para ela saber que nunca mais. Sempre racional, saberia levar sua vida até o fim com aquela decisão. Mirava a vida das irmãs (e a dela mesma) de soslaio. Evitaria. Para sempre evitaria ler aquilo que partira seu coração apenas uma vez na vida. Para nunca mais. Nunca mais. Precisava repetir em voz alta. PARA NUNCA MAIS!

Saberia Alice que também a sua própria vida ela olhava de soslaio? Saberia ela que nada mais era verdade e nem a tirava do torpor e da solidão?

sábado, 23 de abril de 2011

Alice, que não compreendia o amor simplesmente porque sentia medo e porque achava que compreender é justificar, Alice encheu taças e taças de vinho tinto, espesso e embebedou-se. Dormira pesadamente. Perdera a hora para mais um dia em que sentia como se nada fizesse e que para ela era como não ter vivido. Permitiu-se ficar de ressaca, vestida em pijamas, em cima da cama, com o pensamento ela mesma não quereria saber em que lugar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Alice ardia. Ardia em que fogo? Gostava das rajadas de vento lá fora. Ouvia que voz a falar com ela?
Pensava em fazer uma longa viagem. Elegeria dois lugares no máximo e o máximo de tempo em cada um deles. Sabia que se ficasse, depois daquela conversa, procuraria o rosto de Janaína em todas as esquinas.

Era o que Esther gostaria muito de não apenas pensar, mas fazer.